Encontro promovido por instituições da UFRRJ debate corte de verbas e a defesa de uma universidade pública capaz de cumprir com seu papel social
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A presidenta ADUR-RJ e integrante do Comitê Popular de Lutas da UFRRJ, Elisa Guaraná, destaca importância do ato do dia 18 em defesa da educação pública e da democracia
18 de outubro de 2022
Imprensa da ADUR-RJ
Encontro promovido por instituições da UFRRJ debate corte de verbas e a defesa de uma universidade pública capaz de cumprir com seu papel social
O auditório Gustavo Dutra, o Gustavão, recebeu em 17 de outubro estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFRRJ, que participaram da Assembleia Comunitária convocada para debater os cortes e contingenciamentos de verbas nas universidades brasileiras, em especial na UFRRJ. O encontro foi apoiado pela ADUR-RJ, Sintur (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) e DCE (Diretório Central dos Estudantes), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Mabel Almeida, aluna de Ciências Sociais e integrante da comissão eleitoral do DCE, mediou os trabalhos, ressaltando que o evento era uma oportunidade para tratar de questões fundamentais para a instituição. “O objetivo é pontuar tudo o que tem impacto no cotidiano de nossa comunidade.”
O reitor da UFRRJ, professor Roberto de Souza Rodrigues, explicou como é definida a Lei Orçamentária, e os problemas atuais enfrentados com o teto de gastos e os recentes contingenciamentos de recursos. “A Lei Orçamentária aprovada para 2022, por exemplo, é inferior à que foi adotada em 2019. Ou seja, antes mesmo da pandemia do coronavírus tínhamos um orçamento bem superior ao atual”, disse. “Isso impacta todas as etapas do funcionamento de nossa instituição que envolvem a administração de recursos, da manutenção ao pagamento de contas.”
Para o reitor, se já era difícil fechar as despesas do ano, agora essa tarefa se tornou praticamente impossível. “Sem poder de compra, as universidades perdem a capacidade de negociar, o que é uma forma indireta de asfixiar o orçamento”. Na avaliação de Rodrigues, “essa é uma clara ação de desmonte do estado brasileiro, evidenciando a influência de questões ideológicas e de falta de prioridade para a educação do governo.”
O professor e vice-reitor César Augusto da Ros acrescentou que não se pode dissociar a questão orçamentária do projeto de desenvolvimento do país. “A defesa da universidade não se restringe à comunidade universitária, mas envolve toda a sociedade. O que está em jogo é a garantia do direito social de acesso à educação”, enfatizou.
A mediadora Mabel Almeida concordou: “Está claro o projeto de esvaziamento das universidades. A gente percebe isso no dia a dia da comunidade, na vida de cada estudante.”
Gabriel GB, do curso de Letras e integrante da UEE (União Estadual dos Estudantes), reiterou essa visão. “O governo vai sempre no sentido inverso de tudo o que a gente debate para a melhoria da universidade pública. Assim, só resta a estudantes, trabalhadores e à sociedade atuar para barrar esse movimento contrário”, defendeu.
União pelo ensino público
Maurício Marins, diretor da Sintur, ressaltou a importância desse momento no processo, já que o país está em pleno movimento eleitoral, com a breve definição, no segundo turno, de cargos majoritários que vão comandar o país, incluindo a Presidência da República. “O resultado da eleição pode estabelecer um corte ainda maior no orçamento de 2023”, lembrou. “Precisamos barrar essa tendência nefasta de corte nas despesas das universidades, com grande impacto para nós, técnicos-administrativos, responsáveis por lidar com esses recursos.”
O professor da UFRRJ e integrante do Comitê Popular de Luta da UFRRJ, Luciano Alonso, foi além. “É necessário enfrentar os ataques que a educação vem sofrendo não apenas no âmbito econômico como se posicionando contra discursos fascistas em pautas consideradas morais, que deturpam a realidade social”. Segundo o docente, é indispensável garantir avanços como a reforma sanitária que criou o SUS, além da educação gratuita, com paridade e cotas, que são joias brasileiras que devem ser protegidas. “Para tanto, é fundamental agregar forças e ter o apoio da população.”
União é, de fato, a palavra-chave para fazer frente a esses desafios, na avaliação da presidenta da ADUR-RJ, Elisa Guaraná. “O cenário atual impõe mobilizações, como a participação em atos já convocados, e a busca de novas perspectivas para as universidades, que coloquem a educação no centro dos debates”, argumentou. “Instituições e entidades devem estar unidas em prol da universidade, em um movimento voltado para a conquista de uma sociedade mais justa, com democracia e igualdade. E capaz, sobretudo, de definir seus próprios rumos.”
A opinião da presidenta da ADUR é compartilhada pelo estudante de Ciências Sociais André Vicente, com ampla experiência na comunidade universitária pela participação no DCE. “Há anos convivo com ataques contínuos à educação superior, e precisamos urgentemente reverter esse processo. Temos que olhar a educação como deve ser vista, como algo que impacta a sociedade, assim como é impactada por ela”, conclui.
Ao final do evento, a ADUR-RJ, Sintur e o DCE conclamaram a todos a participarem do ato, no dia 18 , em defesa da educação pública e da democracia no Centro do RJ.
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