Manifestantes
lotam auditório da Câmara pela aprovação da PEC 555/06
Cerca de 500
representantes de diversas entidades sindicais, entre elas o
ANDES-SN, participaram durante esta terça-feira (10) do ato
promovido pelo Movimento dos Servidores Públicos Aposentados e
Pensionistas (Mosap) no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos
Deputados, para reivindicar a inclusão na pauta do Congresso da PEC
555/2006 – que prevê o fim gradativo da contribuição previdenciária
dos servidores públicos aposentados e pensionistas.
O presidente do
Mosap (Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas), Edison
Haubert, ao abrir o Encontro Nacional lembrou que apenas uma
liderança partidária – o deputado José Guimarães (PT/CE) - não
assinou o requerimento que solicita urgência na votação da matéria
na Casa. “O nosso objetivo é colocar em votação a PEC 555/06”,
ressaltou Haubert, lembrando que o movimento já tem o número
necessário de assinaturas para garantir, inclusive a aprovação da
proposta.
O movimento já
conseguiu o apoio de 339 parlamentares à PEC. Para que seja aprovada
na Câmara, é necessário o voto de 307 deputados. As propostas de
emenda constitucional requerem quórum quase máximo e dois turnos de
votação em cada uma das Casas legislativas, Câmara dos Deputados e
Senado Federal.
Vários deputados
federais ocuparam a tribuna do Auditório Nereu Ramos e se declaram
favoráveis à extinção da cobrança estabelecida durante a Reforma da
Previdência promovida pelo governo Lula, através da Emenda
Constitucional 41/2003. Os parlamentares aproveitaram para fazer a
defesa da Previdência Social, uma vez que o Executivo alega que o
suposto déficit no sistema é um dos fatores que contribuem para o
retardamento na aprovação da proposta.
“Temos que
continuar batendo na tecla de que a Previdência é altamente
superavitária”, desabafou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP).
Ele criticou o fato de haver por meio da grande imprensa uma intensa
propaganda a favor dos planos de previdência privada, de modo a
favorecer o empresariado.
O autor da PEC
555/6, deputado Carlos Mota (PSB/MG), elogiou o Mosap e as entidades
parceiras pela realização do evento e comentou o trabalho que vem
sendo feito pela aprovação da matéria. “Espero que essa mobilização
de fato consiga sensibilizar todos os paramentares no sentido de por
fim a essa tremenda injustiça contra os aposentados e os
pensionistas do serviço público brasileiro."
Motta ressaltou
que a perda de receita decorrente da não cobrança da contribuição, o
que considerou um assalto à aposentadoria e pensão dos servidores,
não representa impacto nos grandes números do orçamento da União. “É
insignificante se levarmos em consideração todos os gastos que o
governo já teve com as obra da Copa e as exonerações de impostos a
alguns setores da economia, por exemplo. Não é justo que os
servidores públicos sejam os únicos a pagar essa conta junto ao
governo brasileiro”, argumentou o deputado mineiro.
O deputado Ivan
Valente (PSOL/SP) disse que o seu partido seguirá cobrando a
inclusão imediata da matéria na pauta da Câmara e ressaltou que não
há argumento que justifique a não aprovação da proposta. O
parlamentar lembrou que na segunda-feira (9), a Casa aprovou a
medida provisória 615/2013, que prevê entre outros pontos o
parcelamento da dívida e anistia de multa para Bancos, que estão
isentos do pagamento de PIS e Cofins.
“O governo tira
dinheiro da aposentadoria do funcionalismo para dar aos banqueiros
em isenções fiscais e benefícios. Reserva 49% do orçamento para o
pagamento de juros e amortizações aos bancos e não tem dinheiro para
a folha de pagamento, para destinar 10% do PIB à Educação, 10% da
receita líquida ao Sistema Único de Saúde e para melhorar o
transporte público”, denunciou, ressaltando a necessidade de se
resgatar o papel do Estado brasileiro e da valorização do servidor
público.
Valente lembrou
ainda que o PSOL, junto com várias entidades sindicais – entre elas
o ANDES-SN -, entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADIn) pedindo a anulação da Reforma da Previdência, considerada
ilegal e inconstitucional, com base no argumento utilizado no
julgamento do Mensalão, da compra de votos de centena de
parlamentares de vários partidos em 2003. “Com base nessa
constatação, a reforma também foi corrompida e deve ser anulada”,
afirmou.
A presidente da
Anfip, Margarida Lopes de Araujo, também observou em sua fala que o
governo utiliza o dinheiro para cobrir perda de arrecadação com a
renúncia fiscal concedida a diversos setores da economia. “Nossa
contribuição representa apenas 10% do que o governo deixa de
arrecadar. Não é justo que paguemos para que indústrias, bancos e
comércio tenham essa liberação e possam investir inclusive fora do
país”, completou.
Margarida
denunciou ainda o fato do governo não estar compensando à
Previdência Pública a perda acumulada com a política de desoneração.
Segundo ela, em 2012 dos R$ 7 bilhões, foram repostos apenas R$ 3
bilhões. “Neste ano, a perda acumulada até o momento é de R$ 19
bilhões, mas só R$ 1 bilhão foi compensado”, informou.
No início da
noite desta terça, uma comissão formada por representantes de
entidades que compõem o Mosap se reuniu com o presidente da Câmara
dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), para mais uma vez
solicitar que a PEC seja pautada.
“A reunião com o
presidente da Câmara não teve o resultado pretendido já que o
deputado Henrique Alves enfatizou que o ministro da Previdência,
senador Garibaldi Alves, não é favorável à PEC, o que explicita a
falta de interesse do governo em encaminhar a questão”, comentou
José Carneiro, 1º vice-presidente da Regional Norte II do ANDES-SN,
que participou do ato representando o Sindicato Nacional.
Carneiro
acrescentou que o parlamentar informou ao Mosap ele tentaria uma
audiência da comissão com o ministro da Previdência. “Fizemos uma
grande atividade, mas o dia terminou da forma como começou, sem
perspectiva, em curto prazo, da PEC 555 entrar na pauta de votação
da Câmara dos Deputados. Logo, precisamos manter a mobilização e
continuar pressionando os parlamentares”, avaliou o diretor do
ANDES-SN.
*Com informações
do Sindifisco Nacional
Fonte: ANDES-SN, 11/9/13.